Filme mostra como o trailer pode atrair o espectador, para decepciona-lo depois
Há alguns dias eu vinha debatendo, nas mesas de discussões da raça de alimentação do IPA, sobre a questão dos trailers serem uma jogada de marketing a favor dos filmes para atrair o público ao cinema. Eu afirmava que os filmes americanos faziam bons trailers de forma a vender o produto como algo surpreendente, pra depois muitas vezes, descobrirmos que o filme nem era tão bom assim como foi vendido. Uma espécie de “julgue o livro pela capa”. No caso dos filmes brasileiros ocorre o contrário, trailers meia boca que não vendem o filme e que muitas vezes os prejudicam. Pra quem está no cinema e vê um trailer ruim, certamente não irá ver o filme. Ai está um equivoco, pois muitas vezes o Brasil produz filmes muito bons que não assistimos por conta de um pré-julgamento equivocado, que poderia ao menos ser amenizado por uma produção melhor em torno do trailer, que venda o produto. Neste filme, Cilada.com ocorre diferente. O trailer vende bem, pena que o produto não seja tão bom. Como todos os filmes brasileiros, fui levado ao conhecimento dele pelo trailer, que passou antes de uma sessão de cinema na qual fui assistir mês passado. Sinceramente, fui levado a crer que seria um filme realmente espetacular. As cenas eram recheadas de piadas inteligentes, não há como negar. A trama envolve o personagem Bruno, que após ser pego por sua namorada enquanto estava aos “amassos” com outra garota (importante lembrar que ele foi pego no flagra durante uma festa de casamento) tem um vídeo seu posto no site youtube. O vídeo mostra uma “transa inesquecível” dele com sua namorada, que duram aproximadamente 12 segundos e logo se torna a sensação viral na web.
O filme recorre a baixarias do inicio ao fim, com uma dosagem relevante de romantismo clichê. As piadas inteligentes, que estavam no trailer, realmente estão presentes no filme. O grande porém, é que o humor fica somente nestas mesmas piadas vistas, ou seja, usaram as melhores cenas de humor do filme para divulgação fazendo com que o longa-metragem não surpreendesse o público além do que já havia sido visto. A evolução da trama também é confusa, não vemos o personagem aprendendo algo com seus erros, para no final termos uma mudança repentina mal explicada, daquelas que não colam para o público.
Bruno Mazzeo, além de roteirista do filme, interpretou o protagonista Bruno. Sua atuação foi mais que apagada, não dando a sensação de que o personagem ganhou vida. O personagem era o “eu verdadeiro” do ator. Não passou a sensação de um personagem cômico e engraçado, sendo que o público ri mais das situações sofridas por ele e dos coadjuvantes do que de fato pela atuação. A ex-namorada vingativa de Bruno ganha vida com Fernanda Paes Leme, que não teve problemas quanto à interpretação do personagem, mostrando que ela possui um enorme potencial como atriz.
A conclusão do filme é obvia, com final feliz. As atuações só não foram melhores por conta da má construção dos personagens, tanto dos protagonistas quanto dos coadjuvantes. Um filme que engana pela “capa” e que consequentemente não acrescenta nada ao público, que entra calado e sai mudo sem sequer ter algo para comentar a respeito dele.
Por Bruno Moura
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