domingo, 1 de abril de 2012

Sentimentalismo barato, romantismo enlatado e desaprender a viver na vida real




Penso que a internet seja algo extremamente interessante, no contexto do compartilhamento de conhecimento. Pensando nisso, recordei em dado momento que muitas coisas foram criadas com boas intenções e deturpadas com o passar do tic-tac. Você tem um pensamento e a partir dele explana e comenta através da internet. Ou simplesmente fala qualquer besteira que venha a cabeça, sem sequer parar para pensar ou corrigir o texto. Talvez acesse algum site em busca de notícias para se informar ou talvez ainda para sanar um dúvida. Duro é acreditar que pessoas recorram à internet para viver a vida que não possuem no mundo real.

Inúmeros amigos são dispostos para você adicionar a sua rede de contatos. No bate-papo vem o habitual “oi” respondido por outro “oi”. Após temos o clássico “Tudo bem?” respondido por um “Tudo”. E assim vai a emocionante vida para alguns. As alegações são tão variadas, para evitar a rua e o sol, que eu perderia dias falando e catalogando as desculpas. Hoje não se dá beijo ou abraço. Apenas se escreve para termos o trabalho de apertar o “enter”.

Não sou contra as redes sociais. Não sou contra o bate-papo via internet. Mas acho que esquecemos como se vive a realidade. O mundo mudou e poucos se dão conta. Realmente poucos. Alguns diriam que se dão conta, mas aí analisam sob um contexto tecnológico. Não é disso que falo. Falo no sentido de que o mundo mudou de tal forma, que o amor foi banalizado na forma do romantismo industrial. Assistir um filme de amor com poesias é mais interessante que viver a vida, que por si só já é poética. Consumimos amor enlatado sem nos dar conta.

O sentimentalismo hoje é fator de ridicularização. Ser sentimental é motivo de piada. Hoje nos prendemos a estereótipos que definem que o cult é quem está na maioria, curtindo o que o povão ouve ou aprecia. A espiral do silêncio nos faz sermos iguais aos demais, ou aceitar as consequências de nossas decisões (no caso, a exclusão). Sentimentalismo existe? Claro que existe! Essas coisas não morrem assim, facilmente. Mas cuidado com o sentimentalismo barato. Esse existe aos montes.

Me vejo como uma espécie de crítico da vida. Para se ter ideia da grande ironia que a vida carrega, já percebi pessoas reclamarem da falta de amor no mundo, sendo que isso é representado como um desejo superficial. Sabe quando alguém reclama da falta de gente educada, mas não é educado com ninguém? Exatamente ai que quero chegar. É moda dizer que já sofreu por amor. E bandas com músicas do tipo “Te perdi, mas sigo pensando em você porque nosso amor não vai ter fim” é o que mais tem. Músicas que passam um sentimentalismo barato. Duvido que certos compositores de 20 anos tenham sofrido tanto de amor. Ninguém ama 50 mulheres ao longo da vida, isso é fato.

Viver na internet, esse é o grande problema.  O que era para ser uma zona de comunicação virou uma zona de convivência. Percebi pessoas que registram a vida nas redes sociais e que no fundo não possuem nada de interessante por simples falta de interesse. Eu sou do tipo que convive, mas tento viver além disso. Quem sabe você sai para dar uma volta só para caminhar e conversar com alguém. E para pra tomar um chimarrão na Redenção? É bom pegar sol às vezes.
                
E por conclusão percebi com o tempo que não passamos de esqueletos movidos por músculos, com um espaço interno imenso e preenchido por um vazio colossal. Neste ponto, generalizei. Digo isso porque reconheço que existem pessoas que não são assim. São pessoas assim que procuro. Minha jornada é essa. Não por salários maiores. Não por satisfação do libido. Não por desejos mesquinhos. Busco trocar ideias com pessoas cheias por dentro. Cheias de amor, cheias de humor, cheias de ideias e dispostas a compartilha-las... olho à olho.

Bruno Moura

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