Penso
que a internet seja algo extremamente interessante, no contexto do
compartilhamento de conhecimento. Pensando nisso, recordei em dado momento que
muitas coisas foram criadas com boas intenções e deturpadas com o passar do
tic-tac. Você tem um pensamento e a partir dele explana e comenta através da
internet. Ou simplesmente fala qualquer besteira que venha a cabeça, sem sequer
parar para pensar ou corrigir o texto. Talvez acesse algum site em busca de
notícias para se informar ou talvez ainda para sanar um dúvida. Duro é
acreditar que pessoas recorram à internet para viver a vida que não possuem no
mundo real.
Inúmeros
amigos são dispostos para você adicionar a sua rede de contatos. No bate-papo
vem o habitual “oi” respondido por outro “oi”. Após temos o clássico “Tudo
bem?” respondido por um “Tudo”. E assim vai a emocionante vida para alguns. As
alegações são tão variadas, para evitar a rua e o sol, que eu perderia dias
falando e catalogando as desculpas. Hoje não se dá beijo ou abraço. Apenas se
escreve para termos o trabalho de apertar o “enter”.
Não
sou contra as redes sociais. Não sou contra o bate-papo via internet. Mas acho
que esquecemos como se vive a realidade. O mundo mudou e poucos se dão conta.
Realmente poucos. Alguns diriam que se dão conta, mas aí analisam sob um
contexto tecnológico. Não é disso que falo. Falo no sentido de que o mundo
mudou de tal forma, que o amor foi banalizado na forma do romantismo
industrial. Assistir um filme de amor com poesias é mais interessante que viver
a vida, que por si só já é poética. Consumimos amor enlatado sem nos dar conta.
O
sentimentalismo hoje é fator de ridicularização. Ser sentimental é motivo de
piada. Hoje nos prendemos a estereótipos que definem que o cult é quem está na
maioria, curtindo o que o povão ouve ou aprecia. A espiral do silêncio nos faz
sermos iguais aos demais, ou aceitar as consequências de nossas decisões (no
caso, a exclusão). Sentimentalismo existe? Claro que existe! Essas coisas não
morrem assim, facilmente. Mas cuidado com o sentimentalismo barato. Esse existe
aos montes.
Me
vejo como uma espécie de crítico da vida. Para se ter ideia da grande ironia
que a vida carrega, já percebi pessoas reclamarem da falta de amor no mundo,
sendo que isso é representado como um desejo superficial. Sabe quando alguém
reclama da falta de gente educada, mas não é educado com ninguém? Exatamente ai
que quero chegar. É moda dizer que já sofreu por amor. E bandas com músicas do
tipo “Te perdi, mas sigo pensando em você porque nosso amor não vai ter fim” é
o que mais tem. Músicas que passam um sentimentalismo barato. Duvido que certos
compositores de 20 anos tenham sofrido tanto de amor. Ninguém ama 50 mulheres
ao longo da vida, isso é fato.
Viver
na internet, esse é o grande problema. O
que era para ser uma zona de comunicação virou uma zona de convivência. Percebi
pessoas que registram a vida nas redes sociais e que no fundo não possuem nada
de interessante por simples falta de interesse. Eu sou do tipo que convive, mas
tento viver além disso. Quem sabe você sai para dar uma volta só para caminhar
e conversar com alguém. E para pra tomar um chimarrão na Redenção? É bom pegar
sol às vezes.
E
por conclusão percebi com o tempo que não passamos de esqueletos movidos por
músculos, com um espaço interno imenso e preenchido por um vazio colossal.
Neste ponto, generalizei. Digo isso porque reconheço que existem pessoas que
não são assim. São pessoas assim que procuro. Minha jornada é essa. Não por
salários maiores. Não por satisfação do libido. Não por desejos mesquinhos.
Busco trocar ideias com pessoas cheias por dentro. Cheias de amor, cheias de
humor, cheias de ideias e dispostas a compartilha-las... olho à olho.
Bruno
Moura
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