Tentar
sobreviver, um talento nato de todo ser humano. Quando se está em risco, não se
mede as consequências, afinal, nada é maior que sua própria vida. O que
arriscar? O que sacrificar? Tudo se possível. Os mais nobres, porém, são
aqueles que viveram suas jornadas em vida, atrás de algo que valesse mais a
pena do que a si próprio. Românticos incorrigíveis, que veem a vida com outros
olhos, que enxergam o copo meio cheio e não meio vazio, que fazem das suas
declarações atos únicos e eternos de amor, capazes de mudar o mundo e até se sacrificar
por alguém que amam.
Pessoas
assim são raras. Num mundo cada vez mais individualista, que nos coloca no
papel de consumidores que buscam saciar suas necessidades, esquecemos de parar,
respirar e observar. Esquecemos de nos permitir contemplar uma paisagem, olhar
o rosto de alguém e sorrir, dizer palavras simples e comuns. Eu sei que isso é
uma utopia, mas me nego a me contentar com essa situação. Meus pais, que são
maravilhosos, se contentaram e acham que é ilusão pensar nisso. Então devo
acreditar que vou trabalhar minha vida inteira, seis dias por semana em troca
de um de folga, sem tempo para me dedicar ao que gosto e a quem gosto? Posso me
acostumar a viver assim, mas sempre direi que espero um mundo melhor para as
pessoas que amo.
Eu
gosto de escrever, filosofar, cantar. Nada disso me dá uma remuneração, mas
faço mesmo assim porque gosto. Tempo é o que menos me sobra, pois trabalho,
estudo e tenho inúmeras obrigações a cumprir. 24 horas não estão me bastando,
preciso de mais tempo e creio que minha vida não vá abranger todos os meus
desejos de realizações. Mesmo assim, não fico chorando, mas me permito dizer e
escrever tudo o que sinto. Não vale a pena ficar resguardando o que sente. Digo
ainda com propriedade, de que já expressei alguns pensamentos maravilhosos e
que foram repudiados pelos “realistas”, me fazendo o motivo de chacota. Os “realistas”,
se achando em toda sua superioridade, me disseram como eu devia me portar no
mundo. Sinto pena de pessoas assim.
Meu
pai tentou me mudar e não conseguiu. Ele já aceitou o fato de eu ser como sou. Se
vou mudar o mundo, não sei. Só por saber que isso dificilmente ocorrerá, não significa
que me dou por vencido a ponto de desistir. Muitas das conquistas da
tecnologia, ciência e outros campos se deram por gênios, que antes eram tidos
por sonhadores “fora da casinha”.
Quem
sabe saímos um pouco desse individualismo. Quem sabe não doamos um casaco ou
moletom velho para aquele morador de rua perto de casa. Quem sabe não doamos um
pouco de sangue no hospital. Quem sabe não paramos para perguntar “você está
bem?”, “Precisa de ajuda?”. Quem sabe não nos permitamos sonhar e fazer o que
gostamos. É fácil, faz bem e nos permite momentos de risos, alegrias e
descontração.
Por
Bruno Moura

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