Filme
supera o antecessor, mas mantém os vícios com efeitos de câmera lenta
Robert Downey Jr. retorna ao papel
do detetive mais famoso do mundo, numa trama intrincada que envolve seu maior
arqui-inimigo, professor James Moriarty. Só essa premissa já vale seu ingresso
e realmente o filme se mostrou melhor que o seu antecessor. Guy Ritchie retorna
para comandar o filme dando contornos que levam o filme a algo que poucos
conseguem: prender o público a história.
O roteiro foi bem elaborado, mas ao
que percebi, sua trama é elaborada de forma tão inteligente que ficou
in-condizente com a velocidade do filme. Tudo é muito rápido e você não tem o
tempo que gostaria para raciocinar e tentar vislumbrar a genialidade do plano de
Holmes. Neste aspecto, é um filme que vale a pena ser assistido uma vez mais.
A trama segue num ritmo acelerado e
com cenas de ação que exageram no uso do efeito em câmera lenta. Apesar disso,
ela é expandida para um patamar maior, se comparado com o primeiro. Holmes e
seu fiel companheiro, Watson, acabam percorrendo a Europa com a ajuda da cigana
Simza tentando desvendar o plano do professor Moriarty, algo que poderá causar
o inicio da Primeira Guerra Mundial.
No quesito atuação, Robert Downey
Jr. da pitadas diferenciadas em certos momentos da trama, do humor até o ápice
da genialidade do personagem. Isso certamente lhe dá destaque, além do fato de
ser o personagem principal. Jude Law por sua vez consegue dar um ar de
seriedade para Watson mesmo em situações cômicas. Ele levou o personagem tão a
séria que pareceu encarná-lo. Entre todas as atuações, a mais destacada de
longe foi a de Stephen Fry, que deu vida ao irmão de Holmes, Mycroft. Jared
Harris, o professor Moriarty, mostra o lado astuto, carismático e calculista
que o vilão necessita ter. Não esqueçamos a cigana Simza, vivida por Noomi
Rapace. A atriz não compromete o papel e nem gerou grande destaque, mas mostra
potencial que pode ser melhorado, caso venha a aparecer novamente.
As locações e o figurino dos
personagens foram tão bem desenvolvidos que não deram brechas à desconfiança. A
fotografia abusa de tons escuros para dar o ar obscuro ao filme, numa história
onde o vilão parece estar sempre um passo a frente de Sherlock Holmes. Uma
dosagem maior de humor é uma das pitadas que dão um clímax diferenciado a
trama. Aí posso dizer que há momentos que há piadas que são usadas de forma
genial enquanto em outros momentos elas seriam desnecessárias.
O entrave entre Sherlock Holmes e o
professor Moriarty envolve jogadas de inteligência semelhantes às usadas em um
jogo de xadrez. Quanto ao final, posso dizer que não deixa informações óbvias
sobre uma possível continuação, mas suposições sempre existem, ainda mais se
levar em conta que Hollywood objetiva lucrar sempre, seja qual for à franquia.
Um filme que não decepciona e que vale a pena ser assistido e apreciado, mesmo
permanecendo o sentimento de que poderia ter sido melhor.
Por Bruno Moura

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